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terça-feira, 12 de abril de 2011

Vamos aprender mais um pouquinho sobre dislexia?

Drauzio – Como é feito o diagnóstico de dislexia?

José Salomão Schwartzman – Hoje se sabe que a dislexia está associada a algumas alterações do cérebro e precisa ser diferenciada de outros distúrbios. Dizer que um indivíduo é disléxico é deixar claro que ele não é deficiente mental, não tem transtorno de déficit de atenção, nem é portador de quadro emocional ou psicológico que interfira no aprendizado. E mais: que foi exposto à alfabetização na faixa de idade adequada e freqüenta uma escola também adequada às suas necessidades.
De certa forma, o diagnóstico de dislexia é feito por exclusão. Por isso, quando a criança é levada ao consultório com a queixa de vai mal na escola, antes de afirmar que é disléxica, é preciso descartar uma série de distúrbios que ela não tem. Por exemplo: deficiências visuais e auditivas interferem negativamente na aprendizagem e podem ser tão sutis que as pessoas ao redor não percebem. É óbvio que ninguém é disléxico porque precisa usar óculos.

Drauzio – Com que freqüência é feito o diagnóstico de dislexia?

José Salomão Schwartzman – Houve uma época em que todas as crianças com alguma dificuldade para aprender a ler e a escrever eram classificadas como disléxicas até prova em contrário. Como esse diagnóstico era infundado, porque por trás do rótulo de dislexia podiam estar mascaradas patologias mais graves como autismo, deficiência mental e surdez, por exemplo, o termo dislexia praticamente foi banido da literatura científica. Recentemente, porém, ele voltou a ser considerado como importante para definir um distúrbio que merece atenção, embora no Brasil o diagnóstico continue pouco freqüente. Os profissionais preferem imaginar outras causas que não a dislexia para a dificuldade de aprendizagem no âmbito da escrita e da leitura.

Drauzio – Qual é a conseqüência de a maioria dos disléxicos não ser identificada como tal?

José Salomão Schwartzman - Essas pessoas são penalizadas na escola, porque exigem delas o mesmo rendimento dos outros alunos. O disléxico não pode, por exemplo, fazer uma prova escrita da mesma forma que os colegas. Isso tem de ficar bem claro para a escola, que deve optar por outros recursos de avaliação. Por outro lado, exigir que tome nota ou faça um ditado com a mesma rapidez que fazem seus pares é propor um jogo com cartas marcadas.
Portanto, é fundamental identificar o problema e encaminhar o disléxico para um procedimento psicopedagógico ou fonoaudiológico, a fim de tentar corrigir sua dificuldade. Ao mesmo tempo, é preciso garantir-lhe permissão para usar ferramentas que o torne igual aos outros, o que é muito mais complicado do que parece. Há pouco tempo, atendi um adolescente de 14 anos, muito inteligente, mas disléxico grave, com enorme dificuldade para leitura, escrita e compreensão de textos. Nunca foi reprovado, porque abandonou todas as atividades extracurriculares - teatro, música, esporte - para dedicar-se exclusivamente ao estudo, mas ainda assim o resultado não era muito bom. Como estava bem adaptado socialmente e não queria ser transferido de escola, propus que conversasse com os professores a respeito de usar o corretor de texto do computador para fazer as tarefas. Mandei também o diagnóstico com a minha sugestão para a escola.
Dois dias depois, recebi um telefonema da orientadora pedagógica. “Olhe, estou ligando a respeito daquele caso que você avaliou. Sua sugestão é inaceitável para a nossa escola. A classe tem vinte alunos, se ele puder usar o corretor de texto, o que faremos com os outros?” Eu lhe perguntei, então, se alguém naquela classe precisava de óculos. Ela me respondeu que dois ou três usavam. Perguntei-lhe, então, como agia nesse caso. Obrigava todos os outros a usarem óculos ou não permitia que os dois ou três com problemas de visão os usassem.
A tendência é as pessoas verem numa proposta como essa uma facilidade a mais que se dá ao disléxico, quando, na verdade, ela representa a única forma que tem para competir em igualdade de condições com os colegas. Se um disléxico tem dificuldade enorme em decorar tabuada, mas o raciocínio necessário para resolver os problemas, que mal há em permitir que use a máquina de calcular? Não é isso que ele vai fazer a vida inteira?
Nossas escolas resistem em admitir tais possibilidades. No exterior, porém, já existem faculdades que aceitam o uso do corretor de texto, porque o que interessa é saber se o aluno disléxico sabe a matéria e não a forma como escreve.

Drauzio – O disléxico pode sair-se muito bem quando faz uma prova oral?

José Salomão Schwartzman – Pode sair-se perfeitamente bem e é nisso que se deve basear sua avaliação.


Das crianças em idade escolar, entre 10% e 15% têm alguma dificuldade de aprendizagem. Dessas, de 2% a 3% são portadoras de um distúrbio da linguagem conhecido por dislexia, que se manifesta pela dificuldade de aprender a ler, escrever e entender o que lêem, apesar de possuírem inteligência normal, ou mesmo superior.
Disléxicos são lentos na leitura e na cópia, cometem erros de grafia, omitem letras, invertem sua posição nas palavras, não registram adequadamente os fonemas. Por isso, muitas vezes, são considerados preguiçosos e indisciplinados na escola, o que pode reverter em prejuízo de sua auto-imagem e auto-estima.
Não se pode esquecer, porém, de gênios que foram disléxicos. Leonardo da Vinci, Shakespeare, Einstein, Thomas Edson, Walt Disney se distinguiram pelas obras que realizaram apesar da dislexia. Eles deixam claro que é possível superar o problema e ficar livre dos rótulos que prejudicam o desenvolvimento harmônico dos disléxicos

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