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quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Resumo e simulado: A prática educativa – Como ensinar ZABALA, Antoni

Resumo: A Prática Educativa - Como ensinar. ZABALA, Antoni (2002)

  


Resumo: A prática educativa – Como ensinar
ZABALA, Antoni

Simulado
O argumento deste livro consiste em uma atuação profissional baseada no pensamento prático, mas com capacidade reflexiva e que necessitamos de meios teóricos para que a análise da prática seja verdadeiramente reflexiva.

  • Parâmetros institucionais e organizados;
  • Tradições metodológicas, possibilidades reais dos professores;
  • Meios e condições físicas existentes.

  • Num modelo em que a aula se configura como um microssistema definido por determinados espaços, uma organização social, certas relações interativas, forma de distribuir o tempo e um determinado uso de recursos didáticos, numa interação entre todos os elementos.
  • Ao momento em que se produzem os processos educacionais, ela tem um antes e um depois: o planejamento e a avaliação dos processos educacionais.
  • Dentro de um modelo de percepção da realidade da aula, onde estão estreitamente vinculados o planejamento, a aplicação e a avaliação, teremos que delimitar a unidade de análise que representa este processo, ou seja, a atividade ou tarefa. Por exemplo: uma exposição, um debate, uma leitura, uma pesquisa bibliográfica.

-     Atividades ou tarefas → unidade básica do processo de ensino/aprendizagem, cujas diversas variáveis apresentam estabilidade e diferenciação: relações interativas professor-aluno, e alunos, alunos; uma organização grupal, determinados conteúdos de aprendizagem, certos recursos didáticos, distribuição de tempo e de espaço, um critério avaliador.


-     Atividades ou tarefas são insuficientes para proporcionar uma análise dos diferentes estilos pedagógicos, é preciso ampliar esta unidade elementar e identificar como nova unidade de análise, as seqüências de atividades ou seqüências didáticas, que permitem a avaliação sob uma perspectiva processual, incluindo as fases de planejamento, aplicação e avaliação.

-     Desde o modelo aula magistral ( com a seqüência: apontamentos ou manual, prova, qualificação) até o método de projetos (escolha do tema, planejamento, pesquisa...) têm como elementos indicador as atividades, que só adquirem personalidade diferencial conforme sua organização em seqüências ordenadas.

- As variações Metodológicas da Intervenção na aula

1 – Seqüências de atividades – maneiras de encadear e articular as diferentes atividades ao longo de uma unidade didática.
- Indicam a função que tem cada uma das atividades.

2 – O papel dos professores e alunos ou alunos/alunos → clima de convivência de acordo com as necessidades de aprendizagem.

3 – Organização social da aula – grandes grupos, grupos fixos e variáveis contribuem para o trabalho coletivo e pessoal.

4 – Utilização dos espaços e do tempo – concretizam as diferentes formas de ensinar.
5 – Organização dos conteúdos – provém da própria estrutura formal das disciplinas e formas organizativas globais e integradoras.

6 – Uso dos materiais curriculares – importância que adquirem nas diferentes formas de intervenção (nas exposições, experimentação).

7 – Sentido e papel da avaliação – entendida no seu sentido restrito de controle de resultados, como na concepção global do processo de ensino/aprendizagem.

- A Função Social – finalidade (por que ensinar)

·   São colocadas as intenções educacionais, o que pretendemos que nossos alunos consigam;
·   C. Coll estabelece um agrupamento de capacidade: cognitivas, motoras, autonomia pessoal (afetiva), de relação interpessoal e de inserção e atuação social.

     - Os conteúdos – explicam as intenções educativas ( o que ensinar)

  • Tudo que se tem que aprender para alcançar determinados objetivos:
  • Devemos falar de conteúdos de natureza variada: dados, habilidades técnicas, atitudes, conceitos, etc.
  • Coll propõe a classificação dos conteúdos em:

a)      conceituais – englobam: fatos, conceitos, princípios (“O que se deve saber”);
b)      procedimentos: dizem respeito a técnicas e métodos (“O que se deve saber fazer”);
c)      Atitudinais: abrangem valores, atitudes, normas (“Como se deve ser”).

    - Não é possível ensinar nada sem partir de uma idéia de como as aprendizagem se produzem (conhecer as teorias).
    - As formas de intervenção devem levar em conta a diversidade dos alunos, identificando o desafio de que necessitam, a fim de que se sintam estimulados em seu trabalho.

    - O Construtivismo

  • Estruturas cognitivas – esquemas de conhecimento.
  • Esquemas de conhecimentos depende: - nível de desenvolvimento e – conhecimentos prévios.
  • Papel ativo do aluno e do professor → atividade mental → sucessivos equilíbrio, desequilíbrio e requilibrio.
  • Zonas de desenvolvimento proximal.
  • Na perspectiva construtivistas, as atividades de ensino têm que integrar ao máximo os conteúdos e por mais específico que seja, sempre está associado a conteúdos de outra natureza.
  • Aprendizagem dos conteúdos atuais:- fatos, conhecimentos, situações, dados e fenômenos concretos e singulares, conhecimento estes indispensáveis para compreender informações e problemas.
  • Ensino baseado em exercícios de repetição mediante organizações significativas ou associações.
  • Aprendizagem de princípios e conceitos – Termos abstratos

         ○ Ex de princípios:- leis, regras
         ○ Ex de conceitos – densidade, impressionismo
         ○ Implica em compreensão que vai além dos enunciados.
         ○ Característica dos conteúdos conceituais – não estar acabado
         ○ Processo de elaboração pessoal requerem compreensão do significado.
  • Aprendizagem dos conteúdos procedimentais:- destreza ou habilidades

         ○ É um conjunto de leis ordenadas e com um fim.
         ○ Ex:- ler, desenhar, calcular, traduzir.
         ○ São ações ou conjuntos de ações, que são o ponto de partida.
         ○ Só se aprende fazer, fazendo e pela exposição do professor
         ○ È exercitação múltipla, refletindo sobre a atividade (atuação).
         ○ É preciso aplicá-los em contextos diferenciados.

  • Aprendizagem de conteúdos atitudinais:- valores, atitudes, normas

         ○ Valores – Idéias éticas (solidariedade, liberdade, respeito)
         ○ Atitudes – Tendências ou predisposições (cooperar, participar, ajudar)
         ○ Normas – padrões ou regras de comportamento (conforme grupo social), análise dos fatores positivos e negativos, envolvimento afetivo e avaliação.

  • É necessário saber se a seqüência didática programada para desenvolver determinado conteúdo serve para alcançar os objetivos previstos.
  • Para reconhecer a validade das seqüências didáticas tendo em vista aconcepção construtivista e a atenção à diversidade é interessante verificar se as atividades propostas:
         ○ Permitem verificar os conhecimentos prévios;
         ○ Os conteúdos são significativos e funcionais;
         ○ Estão adequados ao nível de desenvolvimento;
         ○ Representam desafios que permitam criar zonas de desenvolvimento proximal;
         ○ Provoquem conflito cognitivo;
         ○ Promovam uma atitude favorável à aprendizagem;
         ○ Estimulam a auto-estima;
         ○ Ajudam a adquirir habilidades para aprender a aprender

AS SEQUENCIAS DE CONTEÚDO – OUTRA UNIDADE DE ANÁLISE

  • Definida como um conjunto ordenado de atividades estruturadas e articuladas para a consecução de um objetivo em relação a um conteúdo concreto.
         ○ Ex:- conteúdo conceitual “componentes da paisagem” – será realizada uma série de atividades de ensino com objetivo de que no final da unidade a aprendizagem desse conteúdo, seja dominada por todos os alunos.

AS RELAÇÕES INTERATIVAS EM SALA DE AULA:- o papel dos professores e alunos

  • A influência da concepção construtivista na estruturação das interações educativas na aula para facilitar a aprendizagem:-
         ○ Planejar a atuação docente de forma flexível para permitir a adaptação às necessidades dos alunos;
         ○ Contar com as contribuições e conhecimentos dos alunos;
         ○ Ajudá-los a encontrar sentido no que estão fazendo;
         ○ Estabelecer metas ao alcance dos alunos;
         ○ Oferecer ajudas adequadas;
         ○ Promover a atividade mental auto-estruturante;
         ○ Estabelecer ambientes que promovam a auto-estima e o autoconceito;
         ○ Promover canais de comunicação;
         ○ Potencializar a autonomia;
         ○ Avaliar os alunos conforme suas necessidades e seus esforços;
         ○ Incentivar a auto-avaliação;

  • É imprescindível prever situações que favoreçam diferentes formas de se relacionar e interagir (grupos, equipes fixas e móveis, assembléias, trabalhos de campos, etc.)

PAPEL DOS AGRUPAMENTOS

  • Cada tipo de agrupamento comporta vantagens e inconvenientes, certas possibilidades e certas potencialidades educativas diferentes.

A Escola como grande grupo

  • As características da organização grupal estão determinadas pela organização e pela estrutura de gestão: relações interpessoais, papéis, responsabilidades, participações, etc.
  • Distribuição da escola em grupos/ classificações

         ○ Classes homogêneas e heterogêneas;
         ○ Conveniência dos grupos heterogêneos:- modelos diferentes de pensar e atuar, surgimentos de conflitos cognitivos, a possibilidade de receber ajuda de colegas;
  • Distribuição da escola em grupos/Classes móveis ou flexíveis:-
         ○ Atender ao diferentes interesses (escolas que trabalham com créditos ou matérias opcionais);
         ○ Atender as diferentes competências;

Organização da Classe em grande grupo

  • Apropriado – ensino de conteúdos factuais
  • Limitado – ensino de conteúdos conceituais, porque não permitem inter-relações, poucas oportunidades de conhecer o processo de elaboração mental que cada aluno segue. – Dificuldade de prestar a ajuda que o aluno precisa.
  • Útil aos conteúdos procedimentos para dar a conhecer a utilidade do procedimento, técnica ou estratégia, mais difícil poder propor atividades de aplicação e exercitação necessárias para cada aluno;
  • Conteúdos atitudinais podem ser feitos em grandes grupos porque o componente cognitivo destes conteúdos exigem trabalho de compreensão, mas os componentes afetivos e comportamentais dos conteúdos atitudinais exigem atividades que coloquem os alunos em situações problemáticas ou de conflitos. Situações que dificilmente podem se realizar em grande grupo, com exceção da assembléia de alunos. A assembléia é adequada, mas é insuficiente.

Organização da classe em equipes fixas

·   Oferecem oportunidades para trabalhar conteúdos atitudinais;
·   Oferecem oportunidades de debates, de receber, e dar ajuda (solidariedade e cooperação);
·   Aceitação da diversidade;

     Organização da Classe em equipes móveis e flexíveis

  • Atender as características diferencias dos alunos;
  • Oportunidade de atenção personalidade do professor ao grupo;
  • Período de tempo dos agrupamentos é limitado;
  • Eles poderão ser algumas vezes homogêneos e outras heterogêneos;
  • São adequados aos conteúdos procedimentais (matemática, artes)
Trabalho individual

  • É oportuno porque a aprendizagem em última instância é sempre uma apropriação pessoal;
  • Ele será efetivo, uma vez entendido o conceito, realize atividades e exercícios que permitirão ampliar, detalhar, recordar, e reforça ou que foi aprendido;
  • É útil para memorização de fatos, para aprofundamentos de conceitos e para maioria dos conteúdos procedimentos em que se deve adaptar o ritmo e a proposição de atividades às características dos alunos.
  • Os Contratos de Trabalho (Freinet) – consiste em facilitar a tarefa do professor. O aluno faz um acordo com o professor. É imprescindível contar com materiais preparados e que as atividades sejam seqüenciadas e progressivas. (Número de atividades que deveram fazer).

Distribuição do tempo e do espaço

  • Distribuição tradicional
  • Os cantos e as pequenas oficinas, bibliotecas, sala ambiente;
  • Prédios grandes, são radicalmente contrários as propostas educativas pois é impossível promover determinadas atitudes, ou um bom clima afetivo onde não podem se sentir seguros, no anonimato.

A distribuição do tempo não é o menos importante.

  • Devem variar de acordo com as atividades previstas e necessidades educacionais.

A ORGANIZAÇÃO DOS CONTEÚDOS

  • Diz respeito a relação e a forma de veicular os diferentes conteúdos conteúdos de aprendizagem que formam as unidades didáticas
  • Podemos encontrar propostas que rompem com a organização centrada por disciplinas (propostas metodológicas globalizadoras).
  • Nos métodos globalizados as disciplinas nunca são a finalidade do ensino, elas têm a função de proporcionar os meios ou instrumentos para realização dos objetivos educacionais;
  • Nos métodos globalizados a organização se realiza a partir da perspectivas de como os alunos aprendem;
         ○ Nascem quando o aluno se transforma em protagonista do ensino.
         ○ Ex;- centros de interesse, projetos, investigações do meio, projetos de trabalho (todos partem de uma situação real).
  • As disciplinas com organizadoras dos conteúdos.
  • A fragmentação do saber e a diversificação do saber em múltiplas disciplinas;
  • Podemos estabelecer três graus de relações disciplinares:-
1-) a multidiciplinaridade – conteúdos apresentados por matérias independentes uma das outra;
2-) a interdisciplinaridade – interação entre dias ou mais disciplinas, integrando os conceitos idéias, metodologia;
3-) a transdicciplinaridade – integração global, dentro de um sistema totalizador.

OS MATERIAIS CURRICULARES E OUTROS RECURSOS DIDÁTICOS

  • São aqueles que proporcionam ao educador referências e critérios para tomar decisões, no planejamento e na intervenção no ensino e na avaliação;
  • Podem ser tipicados conforme;-
1-) o âmbito de intervenção (planejamento da aula, grupo, classe, individual);
2-) a intecionalidade da função (orientar, exemplificar, ilustrar);
3-) os conteúdos e as maneiras de organizá-los (integradoras, globalizadoras, conteúdos procedimentos, conceituais);
4-) suporte (quadro negro, papel, cadernos, fichas, livro didático)

Observação:- Quanto aos conteúdos atitudinais, não existem suportes a serem usados comprofusão, a não ser o vídeo e os textos.

  • Criticas ao livro didático e materiais curriculares:-
  • Esteriótipos culturais;
  • Proposições vinculadas a determinadas correntes ideológicas;
  • Não podem oferecer toda informação necessária para garantir a comparação;
  • Fomentam atitudes passivas do aluno;
  • Impedem o desenvolvimento de propostas mais próximas da realidade;
  • Não favorecem a comparação entre realidade e ensino escolar;
  • Não respeitam a forma nem o ritmo de aprendizagem do aluno (uniformização do ensino)
  • Fomentam as estratégias de memorização

               Observação:- Proceder a busca de referências e critérios para análise e confecção dos materiais curriculares.

  • Projeção estática (retroprojetor, slides) suporte e elementos esclarecedores de muitas idéias e facilitam o diálogo, ajudam a centrar a atenção, mas é preciso não pecar pelo excesso de uso.
  • Imagem de movimento – (filmes, gravações de vídeo).
  • Atuam como suporte nas exposições e como fonte de informação.
  • É importante ir gerando e cortando, para estabelecer com a classe

  • Suporte de Informática:-

  • Possibilidade de estabelecer um diálogo mais ou menos aberto entre o programa e o aluno:
  • Permite fazer simulações de técnicas e procedimentos;
  • Contribui para formação de conceitos.

  • Suporte Multimídia:-

  • Uso do disc laser, CDI ou CD-ROM (interessante ver a disposição) banco de dados de fácil acesso.


       Conclusão:- A existência de materiais curriculares diversificados facilitará a elaboração de propostas singulares. A pertinência dos materiais estará determinada pelo uso que se faça deles, nos diferentes contextos educativos.

A AVALIAÇÃO



  • Não deve se limitar somente a avaliação do aluno, mas também o grupo / classe, inclusive o professor ou a equipe docente, o processo de ensino é a própria forma de avaliação.
  • A avaliação inicial (diagnóstica);
  • A avaliação reguladora (como cada aluno aprende) modificação e melhora contínua do aluno;
  • A avaliação integradora (todo percurso do aluno) informe global do processo;
  • A avaliamos para o aperfeiçoamento da prática educativa;
  • Compartilhar objetivos – condições para avaliação formativa;
  • A informação dos resultados de aprendizagem.
APRENDA MAIS COM OS VÍDEOS:

A PRÁTICA EDUCATIVA

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terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Simulado, resumo e livro em PDF Avaliação da aprendizagem escolar de Cipriano Carlos Luckesi

Simulado: Avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições - Cipriano Carlos LUCKESI (2011)

Texto na íntegra
Resumo
01.(VUNESP/2014) Neide  e  Marília  são,  respectivamente,  professoras de 2.º e 5.º anos do Ensino Fundamental de uma escola do  interior  paulista.  Para  rever  suas  práticas  de  avaliação do rendimento do aluno, elas recorreram à obra Avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições (LUCKESI, 2011). Puderam assim constatar que, conforme o autor, a atual prática da avaliação escolar não  viabiliza um  processo  de democratização  do ensino,  o  que  pode  ser  superado  quando  se  trabalha  a partir de uma

(A)  avaliação que seja classificatória, de modo a indicar o grau de aprendizagem do aluno em relação a seus pares, possibilitando ao docente uma seleção segura dos estudantes que serão promovidos e daqueles que ficarão para recuperação.

(B)  avaliação diagnóstica assumida como um instrumento de compreensão do estágio de aprendizagem em que se encontra o aluno, tendo em vista tomar decisões suficientes e satisfatórias para que ele possa avançar no seu processo de aprendizagem.

(C)  concepção pedagógica que exija democraticamente de  todos  os  alunos  o  domínio  dos  conteúdos
tradicionais, levando-os a se apropriarem do saber erudito, a fim de que sejam bem sucedidos em suas avaliações e no percurso de sua escolarização.

(D)  avaliação  somatória  para  premiar,  em  especial,  os alunos bem sucedidos na escola, estimulando-os a sempre alcançarem notas acima do limite de aprovação, pois dessa forma se preparam para os processos competitivos da sociedade democrática.

(E) prática  docente  que  permita  ao  professor  verificar o grau de  eficiência  do  seu  trabalho pedagógico  e como é importante ser flexível na avaliação da aprendizagem dos alunos com dificuldades, pois eles são diferentes e demandam um ensino menos exigente.

02. (FGV/2013) Luckesi (2011) afirma que o exercício pedagógico escolar está estruturado em uma pedagogia do exame mais do que em uma pedagogia de ensino/aprendizagem.
Assinale a alternativa que apresenta uma prática voltada para a pedagogia do ensino/aprendizagem.

(A) Os alunos estão com a atenção centrada na promoção e, por isso, procuram saber as normas e os modos pelos quais as notas são obtidas.
(B) Os professores utilizam as provas como instrumentos de
ameaça, alegando ser um elemento motivador da aprendizagem.
(C) Os pais, em geral, ficam na expectativa das notas de seus filhos, isto é, o importante é que tenham nota para serem aprovados.
(D) A avaliação é vista como um diagnóstico da qualidade dos resultados implicando, caso não tenha sido satisfatório, a retomada do curso da ação.
(E) O ensino centra-se no treinamento para resolver questões, tendo em vista a preparação para a prova.

03. (FGV/2013) “ Podemos dizer que a atual prática da avaliação escolar (...) possibilita um processo cada vez menos democrático no que se refere tanto à expansão do ensino quanto à sua qualidade.”
(Luckesi, 2011)
Segundo esse autor, deve haver uma maior articulação entre a avaliação e o planejamento porque

(A) enquanto o planejamento é o ato pelo qual se decide o que construir, a avaliação é o ato crítico que subsidia a verificação de como está sendo construído o projeto.
(B) enquanto o planejamento permite rever o projeto pedagógico, a avaliação possibilita mudar os processos de ensino.
(C) enquanto a avaliação dimensiona o que se vai construir,o planejamento subsidia essa construção porque fundamenta novas decisões.
(D) enquanto a atividade de avaliar dimensiona política e tecnicamente a atividade escolar, o planejamento deve ser construído por todos que compõem o corpo profissional da escola.
(E) enquanto o planejamento identifica impasses e encontra caminhos para superá-los, a avaliação  subsidia soluções alternativas para um determinado percurso de ação.

04. (FGV/2013) Muitas vezes, no cotidiano das avaliações escolares, o que é ensinado importa mais que o que é aprendido.
De acordo com Luckesi (2011), avaliar vem do latim,“a-valere”, ou seja,“ dar valor a...”, de modo que a “avaliação” refere-se à capacidade de se atribuir uma qualidade ou valor a um determinado objeto ou a algo.
As alternativas a seguir estão de acordo com a perspectiva defendida por esse autor, à exceção de uma. Assinale-a.

(A) A avaliação deve se constituir em uma prática seletiva, permitindo separar os alunos em bem e mal sucedidos, para valorizar apenas os alunos bem posicionados.
(B) A avaliação da aprendizagem deve ser vista como um ato acolhedor, integrativo, inclusivo, uma vez que fornece suporte para mudanças.
(C) A avaliação da aprendizagem tem dois objetivos: auxiliar o aluno no seu desenvolvimento pessoal, a partir do processo de ensino-aprendizagem, e responder à sociedade pela qualidade do trabalho realizado.
(D) A avaliação deve reconhecer as tradições culturais e valorizar os conhecimentos prévios trazidos pelos alunos.
(E) O educando não deve ser castigado pelos outros ou por si mesmo em função de uma avaliação “mal sucedida”. Deve-se utilizá-la positivamente para avançar na busca da solução pretendida.


GABARITO

01 - B
02 - D
03 - A
04 - A

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Resumo e Simulado do livro Indisciplina na escola de Júlio Groppa Aquino

Simulado: Indisciplina: alternativas teóricas e práticas - Júlio Groppa Aquino (1996)

01. (VUNESP/2013) Aquino (1996) afirma que “ a indisciplina na escola aparece sob todas as formas de conflito que incorporam uma capacidade de __________  dos pequenos grupos e expressam-se quer sob uma aparente submissão, quer através dos excessos de todos os tipos. Num caso o indivíduo está completamente __________   em relação a um controle central, abstrato, anônimo; noutro, as potencialidades de cada um são reconhecidas e integradas em um conjunto.”

Assinale a alternativa que, de acordo com o autor, preenche, correta e respectivamente, as lacunas do texto.

(A) adaptação … independente
(B)  resistência … dependente
(C)  persistência … alheio
(D) organização … resistente
(E)  alienação … enfraquecido

02. (VUNESP/2014) Júlio Groppa Aquino, in Aquino (1996), apresenta o fenômeno da indisciplina como, talvez, o “inimigo número um do educador atual”, presente nas escolas públicas e particulares. Circunscreve o tema como interdisciplinar e transversal à Pedagogia, apontando a indisciplina como um sintoma de “outra ordem que não a estritamente escolar, mas que surte no interior da relação educativa”. O autor conclui que as diversas leituras do fenômeno findam por implicar uma análise transversal que leva a enxergar a saída

(A)  por uma razoável valorização da educação de antigamente  que,  com  uma  militarização  difusa, baseada no medo, na coação e na subserviência, fazia do professor um modelador do aluno e resultava em rendimento escolar satisfatório.

(B)  pelo  reconhecimento  de  que  a  indisciplina  traz  um rebaixamento  da  qualidade  da  educação escolar, obrigando  a  escola  a  receber,  pela  ampliação das vagas,  os  filhos  das  classes  populares, com  seus modos inadequados ao trabalho escolar.

(C)  pela  exigência  às  famílias,  por  parte  da  escola, de que elas se incumbam de providenciar a introjeção de determinados padrões morais apriorísticos que levem ao reconhecimento e respeito da autoridade externa.

(D)  pelo  reconhecimento  e  pela  aceitação de que a escola precisa atender o crescente número de alunos sem pré-requisitos morais e disciplinares e, por isso, faz-se urgente reinstalar o componente curricular “educação moral e cívica”.

(E) pela instauração de uma “nova” ordem pedagógica que restaure a função epistêmica da escola e coloque o conhecimento no centro do cenário educativo, situando  o  objeto  a  ser  aprendido, dialogicamente, “entre” os que ensinam e os que aprendem.

03. (VUNESP/2014) Áurea Maria Guimarães, in Aquino (1996), contribui com uma  reflexão que se  inicia perguntando: “Será  que a indisciplina  e  a  violência  são  sempre  indesejáveis,  ou teríamos de considerar a ambiguidade desses termos?”. 
Esclarece  que  buscou,  nas  ideias  de  Michel  Maffesoli, “algumas noções referentes à violência, à ordem, à desordem, à lógica do dever-ser versus a do querer-viver, nas quais a ambiguidade aí presente, em vez de se mostrar como defeito, possibilita pensar a vida social, levando-se em conta a multiplicidade das situações”.
Concordando com o ponto de vista defendido pela autora, pode-se concluir que

(A) com o advento da escola de massas, existe um conjunto  de  histórias  tão  diversificadas  que  pode dificultar a  socialização  dos  alunos,  sendo  necessária uma ação de padronização ancorada no “deve ser”, nos objetivos iguais para todos para que, como nos velhos tempos, se alcance sucesso na formação de pessoas de bem e instruídas.

(B) é preciso encontrar equilíbrio entre os interesses dos alunos e as exigências da instituição e dar início ao despontar de uma solidariedade interna, que engendre uma luta pelo coletivo e crie uma comunidade de trabalho, flexibilizando o tempo e o espaço do território escolar e mantendo a possibilidade de dissidências e debates.

(C) é válido todo esforço para eliminar a tensão entre os comportamentos  espontâneos,  licenciosos,  com os quais os alunos chegam, e a ordem do espaço escolar, a qual retrata e representa a ordem social externa, mesmo que para isso se faça uma experiência de “liberar geral” para que eles vejam as consequências e peçam as regras da instituição.

(D) quando  há  respaldo  para  implantar a “tolerância zero” para indisciplina e/ou violência, as discordâncias deixam de ser objeto de negociação, todos se unem em torno do que foi definido igualmente para o grupo, sem injustiças nem favoritismos; então as “panelas” se desestruturam, e o trabalho escolar, em torno do conhecimento, flui normalmente.

(E) o firme propósito de eliminar a indisciplina e a violência,  ou  de  colocá-las  fora  do  espaço  escolar, abriu caminho para que os educadores escolares solicitassem a ajuda técnica de especialistas, seja para orientação e capacitação deles próprios ou para atender, individualmente,  os  alunos  a  eles encaminhados devido a seu comportamento discrepante mais grave.

04. (VUNESP/2014) França, in Aquino (1996), trabalha o tema da indisciplina levando em conta que a sociedade moderna transformou os interesses da esfera privada, ligados à sobrevivênciada  espécie,  em interesses coletivos, levando  a  um encurtamento do espaço público. Diante desse contexto, a autora propõe que a sala de aula pode e deve ser:
•  campo político de conexão do homem com o mundo e seu  futuro:  lugar  de  experimentar,  na existência de cada  um,  os  elementos  da  cultura:  saberes,  atitudes, valores, crenças e interesses;
•  lugar de um trabalho infatigável para aprender a viver a vida inteira, transformá-la numa obra de arte, conferindo durabilidade  ao  mundo,  avaliando  as  consequências dos  conhecimentos  construídos,  no redirecionamento de  nós  mesmos  e  do  mundo,  visando  a  uma  certa perfeição.
Isso tudo porque ela

(A) aponta a indisciplina como matéria do trabalho ético e político e a desejável disciplina como resultado dele.

(B) aponta  a  indisciplina  que  enfrentamos  hoje  como herança  ética  e  política  do  período  militar,  isto é, revanche ao processo repressivo.

(C) entende a escola como um espaço neutro na política e  na  ética,  terminando  o  direito  de  cada  um onde começa o do outro.

(D) concebe a disciplina, que garante a ordem e o silêncio, como condição para que o aluno aprenda os conteúdos acadêmicos.

(E) aponta  a  disciplina como matéria do trabalho educativo familiar, berço da ética de cada um e fonte de modelos.

05. (VUNESP/2014) O professor Manoel argumenta que tenta passar os conteúdos para os alunos, mas eles não aprendem porque são  desinteressados,  apáticos,  não  prestam  atenção, fazem  bagunça,  comportam-se  de  forma desrespeitosa etc. Considerando os estudos de Aquino (1996) e analisando o fato na perspectiva de que as interações professor  versus  aluno  se  pautam  no  estatuto  do  próprio conhecimento, uma nova ordem pedagógica precisa ser instalada. Nesse sentido, segundo o autor,

(A)  é importante uma relação autoritária que favoreça a memorização dos conteúdos pelos alunos.

(B)  o trabalho do aluno deve se assemelhar ao do professor, na medida em que aquele tem que reproduzir
o conhecimento armazenado pela humanidade.

(C)  o professor deve ter controle sobre o comportamento do aluno, pois a obediência e a resignação são catalisadores do ato de conhecer.

(D)  uma conduta austera do professor é necessária, porque é ele o responsável pelas relações pessoais em
sala de aula.

(E)  é  importante  o  professor  reinventar  continuamente os conteúdos, as metodologias e a relação, porque isso também é conhecimento.

GABARITO

01 - B
02 - E
03 - B
04 - A
05 - E



por André Wagner Rodrigues - Instituto EDUCAR PARA A LIBERDADE
Acesso em: 20 maio 2015


Resumo do texto: A desordem na relação professor-aluno: Indisciplina, moralidade e conhecimento. In:______ AQUINO, Julio Groppa (org.).Indisciplina na Escola: alternativas teóricas e práticas. São Paulo: Summus, 1996.

O que é Indisciplina?


Entende-se por indisciplina os comportamentos disruptivos graves que supõem uma disfunção da escola. Os comportamentos indisciplinados simplesmente obedecem a uma tentativa de impor a própria vontade sobre a do restante da comunidade. [...] Também se entende por indisciplina as atitudes ou comportamentos que vão contra as regras estabelecidas, as normas do jogo, o código de conduta adotado pela escola para cumprir sua principal missão: educar e instruir. Então, muitas vezes, o problema consiste em que não existem tais normas, a escola funciona de acordo com um código não-escrito, conhecido somente por poucos, o qual não é divulgado entre a comunidade escolar”. (CASAMAYOR apud AQUINO, 2006, pg. 15)

O que se sabe e sobre a Indisciplina Escolar?


Sabe-se claramente que a Indisciplina constitui uma das queixas reinantes quanto ao cotidiano não apenas de professores, mas também de pais.
Se trata de um fenômeno escolar que ultrapassa fronteiras socioculturais e também econômicas.
Deixaram de ser encarados como eventos esporádicos para se tornarem, uma das razões nucleares do alegado desgaste ocupacional dos profissionais da Educação.
Parece ter relação imediata com o estilo de ação do professor, mostrando-se como resposta a falta de autoridade ou ao seu excesso.
Em todos os casos o que parece estar em pauta é a afronta – declarada ou não – aos códigos normativos em vigor na Instituição.
Não se trata de um fenômeno exclusivo da Escola Pública.
O ápice do fenômeno parece se dar, na maioria das vezes, entre a etapa final do ensino Fundamental e o início do ensino Médio.
Temática, que tomou entre nós, maior visibilidade a partir dos anos 1990.
A maioria dos educadores não sabe ao certo como administrar o ato indisciplinado (dialogar? Punir? Encaminhar? Ignorar?)

O que se suspeita sobre a Indisciplina escolar?


Suspeita-se que a Indisciplina discente seja um fenômeno típico da adolescência, e esta caracterizada pelo questionamento e dos valores impingidos pelo mundo adulto.
Manifestação de uma agressividade latente dirigida contra as figuras de autoridade, agressividade gerada pela “desestruturação” do ambiente familiar (prejuízos psíquicos difusos).
Más influências a que as novas gerações foram expostas (o excesso de televisão, de internet, etc.)
Supõe-se que, centrando os esforços em torno dos “casos graves”, poder-se-ia livrar os alunos medianos da ameaça de serem corrompidos por hábitos avessos aos bons costumes.
A escola poderia fazer muito pouco, ou quase nada, contra a degradação da sociedade contemporânea, simbolizada pela indisciplina generalizada das novas gerações.

O que estaria acontecendo com a educação brasileira atualmente? Qual é o papel da Escola para a sua clientela e seus agentes? Afinal de contas, sua função primordial seria a de veicular os conteúdos classicamente preconizados ou tão-somente conformar moralmente os sujeitos a determinadas regras de conduta?


O papel essencial da escolarização é atender a dimensão epistêmica do ensino.
Dimensão socializante da escola
Dimensão profissionalizante???

O olhar sócio-histórico: a Indisciplina como força legítima de resistência


Iniciemos examinando um texto bastante curioso de 1922, intitulado Recommendações Disciplinares:
[...] A disciplina é fator essencial do aproveitamento dos alumnos e indispensável ao homem civilisado. [...] Os alumnos devem apresentar minutos antes das 10 horas, observando-se em ordem no corredor da entrada, para dahi descerem ao pateo onde entoarão o cantico. [...] Em classe a disciplina deverá ser severa: - os alumnos manterão entre si silêncio absoluto; não poderá estar de pé mais de um alumno; não deverão ser atirados no chão papeis ou quaesquer cousas que prejudiquem o asseio da sala; [...] serão retirados do recreio ou sofrerão a pena necessária os alumnos que gritarem, fizerem correrias, danificarem as plantas ou prejudicarem o asseio do páteo com papeis, cascas de fructas, etc.


Tempos antigos para uma demanda diferente...


Esta escola do passado é, ainda para muitos, o modelo almejado...
Medo, coação, subserviência. É isto que devemos saudar?
A estrutura e o funcionamento escolar então espelhavam o quartel, e o professor, um superior hierárquico. Uma espécie de militarização difusa parecia, assim, definir as relações institucionais como um todo.
Ora, com a crescente democratização do país e, em tese, a desmilitarização das relações sociais, uma nova geração se criou.
Os parâmetros que regem a escolarização ainda são regidos por um sujeito abstrato, idealizado e desenraizado dos condicionantes sócio-históricos.
Ela (a Indisciplina) pode estar indicando o impacto do ingresso de um novo sujeito histórico, com outras demandas e valores, numa ordem arcaica e despreparada para absorvê-la plenamente.

Olhar psicológico: Indisciplina como carência psíquica infra-estrutural


Numa perspectiva genericamente psicológica, a questão da indisciplina estará inevitavelmente associada à idéia de uma carência psíquica.
O reconhecimento da autoridade externa (do professor no caso) pressupõe uma infra-estrutura psicológica, moral mais precisamente, anterior à escolarização.
Permeabilidade de regras comuns; partilha de responsabilidades, cooperação, reciprocidade, solidariedade, etc.
O aluno atual carece de tais parâmetros, pois nota-se: agressividade/rebeldia; ou apatia/indiferença, ou, ainda, desrespeito/falta de limites.
Que se trata, supostamente, de um sintoma de relações desagregadoras, incapazes de realizar a contento sua parcela no trabalho educacional das crianças e adolescentes. Um esfacelamento do papel clássico da instituição familiar, enfim.

Relação professor-aluno como recorte


O que deve regular a relação é uma proposta de trabalho fundamentada intrinsecamente no conhecimento. Por meio dela, pode-se fundar e/ou resgatar a moralidade discente na medida em que o trabalho do conhecimento pressupõe a observância de regras, de semelhanças e diferenças, de regularidades e exceções.
Este trabalho de incessante indagação, no trabalho científico, não requer que o aluno seja estático, calado, obediente. O trabalho do conhecimento, pelo contrário, implica a inquietação, o desconcerto, a desobediência. A questão fundamental está na transformação desta turbulência em ciência.


Por uma nova ordem pedagógica


È preciso, pois, reinventar continuamente os conteúdos, as metodologias, a relação.
Esta guinada na compreensão e no manejo disciplinares vai requere enfim, uma conduta dialógica por parte do educador, pois é ele quem inaugura a intervenção pedagógica.
O ofício docente exige a negociação constante, quer com relação às estratégias de ensino ou avaliação, quer com relação aos objetivos e até mesmo aos conteúdos preconizados – sempre com vistas à flexibilização das delegações institucionais e das formas relacionais.
Quesitos principais dessa relação:
Investimento nos vínculos concretos (onde essa relação é foco principal)
Fidelidade ao contrato pedagógico – que este seja razoável para ambas as partes.

Permeabilidade para mudança e para a invenção – reaprender seu ofício e reinventar seu campo de conhecimento a cada encontro.

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dicas

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