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terça-feira, 12 de abril de 2011

Entrevista do drº Drauzio Varella com José Salomão sobre alfabetização

Drauzio – O ensino no Brasil está preparado para atender alunos com dislexia?

José Salomão Schwartzman – Estamos vivendo uma época complicada no que se refere à educação pública do Brasil, e a educação privada também passa por momentos em que são discutíveis tanto o currículo quanto o preparo dos professores. Não se pode negar que há uma série de fatores interferindo no aprendizado. Como médico, também me preocupa estarmos seguindo a cultura dos países de primeiro mundo, que tornou o processo de ensino da escrita e da leitura cada vez mais precoce. Na minha época, as crianças iam para a escola aos sete anos. Antes faziam tudo o que tinham direito, não tocavam num lápis se não quisessem, mas chegavam absolutamente maduras para serem alfabetizadas. Depois, veio a moda da pré-escola e o processo de alfabetização recuou para os seis anos, para os cinco e, pasmem, recebo crianças com 4 anos com suspeita de dificuldade de aprendizagem escolar, o que é uma piada! Com quatro anos, não deveriam estar na escola, mas, se estão, que seja por algum outro motivo que não a leitura e a escrita. Portanto, como se alfabetiza muito cedo, cada vez mais as crianças estão menos prontas para iniciar o processo e são identificadas dificuldades de aprendizagem que, na realidade, não existem.

Drauzio – Você vê alguma vantagem em alfabetizar a criança tão cedo assim?

José Salomão Schwartzman – Vejo só desvantagens. Do ponto de vista neurológico, na média, o brasileiro está pronto para ser alfabetizado aos seis, sete anos, o que não significa que algumas crianças o façam aos três e outras, aos nove anos. Esse pressuposto desperta muita polêmica, pois, além de estarem ensinando inúmeros conteúdos muito cedo, a maioria das pré-escolas é bilíngüe, com as vantagens e desvantagens que tal proposta pode acarretar.
A vantagem que se apregoa baseia-se na janela do conhecimento, ou seja, na premissa de que o cérebro é muito plástico nos primeiros anos de vida. Por isso, quanto mais cedo a criança for exposta às informações, mais depressa aprenderá. No entanto, em termos de aquisição da linguagem, o ideal é aprender primeiro a língua materna, ser alfabetizado nessa língua e, depois, aprender duas ou três línguas. O problema é que, atualmente, vivemos a síndrome do apressamento infantil. Desde muito cedo, as crianças têm uma agenda mais sobrecarregada do que a de muitos adultos e acabam apresentando dificuldades não de aprendizagem, mas de “ensinagem


Dr. José Salomão Schwartzman é neuropediatra. Formado na Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo, especializou-se em Neurologia Infantil no Hospital for Sick Children, em Londres, e é professor titular de pós-graduação em Distúrbios do Desenvolvimento na Universidade Presbiteriana Mackenzie.

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